Confissões Profissionais
15/02/2011 às 18:50 | Publicado em Pílulas | Deixe um comentárioTags: Estudos, Faculdade, Jornalismo
A primeira vez que eu contei para alguém sobre a minha escolha profissional eu estava no intervalo do colégio. A nova sede do Anchieta tinha sido inaugurada a pouco tempo e era bem comum encontrar pais em visitação. Me deparei com uma senhora jovial na espera da cantina que lançou a pertinente pergunta:
- E você já sabe o que vai fazer no vestibular ¿
- Comunicação – retruquei já ensaiando a confiança de uma resposta que tantas vezes teria de repetir.
Ela explicou então que era professora de uma faculdade nesta mesma área e que o grande problema dos alunos deste curso era preguiça: “eles tem um ótimo potencial, mas até saírem da inércia leva um tempo…”.
Como todo aluno, eu não me considerava preguiçoso e até hoje acredito que cabia mesmo a escola buscar se adequar ao ritmo menos industrial que a minha juventude era capaz de produzir ( a fecundação do que seria a geração Y). Se para burlar as aulas eu sempre estive em busca de um bom motivo, é porque gostava de estar em ação e não estático, inerte.
Deu que apesar de ter passado em comunicação nos primeiros vestibulares eu fui fazer direito até hoje não sei bem o por quê. E agora, já formado em comunicação, reconheço em parte a tese da jovial professora: até chegar a monografia – trabalho que abracei como causa pessoal – todas as outras atividades da faculdade optei por considerar meros exercícios presos a redoma profissional. A preguiça surgia no momento em que não conseguia relacionar essas atividades com as minhas buscas pessoais de conhecimento.
Daí que fiquei com essa formação diferenciada, conciliando o feijão com arroz dos procedimentos acadêmicos com as faltas bem justificadas para viver as bandas, os shows, os quadrinhos, os blogs, as passeatas e tudo mais que despertasse essa aproximação entre a comunicação e a vida real. Entendendo o conselho daquela senhora com quem primeiramente compartilhei a minha escolha profissional, porque neste meu primeiro trabalho depois de formado é que pude conhecer de perto as capacidades mágicas da nossa força de vontade, seja lá qual for a profissão exercida.
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